Vivemos uma tragédia, diz Bispo em Missa do trabalhador

O bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, chamou atenção para alto número de desempregados no Brasil, atualmente em 14%, na Missa de São José Operário, também conhecida como Missa do Trabalhador, em 1º de Maio, na Basílica Menor de Nossa Senhora da Boa Viagem, a Matriz de São Bernardo. “Vivemos uma tragédia: o desemprego numa crise sem precedentes aumenta cada dia o sofrimento do povo, em especial os mais pobres”, disse ele.

A celebração é tradicional no Grande ABC e, com o apoio da Pastoral Operária, acontece desde 1980, época de lutas sindicais que fizeram história no País. Autoridades também participaram da Santa Missa. O atual prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, e seu antecessor, Luiz Marinho, estiveram presentes, assim como o Deputado Federal Vicentinho, o vice-prefeito, Marcelo Lima, e a vereadora Ana Nice. Padres da Diocese concelebraram.

Em sua homilia, Dom Pedro recordou que Jesus herdou a profissão de São José, que era carpinteiro. “O fato de Jesus ter trabalhado nos mostra que o trabalho não é maldição, mas a maldição é não poder trabalhar ou trabalhar de forma indigna sem receber o que precisa para viver com dignidade”, disse o bispo. Ele ressaltou que, com o trabalho de suas mãos, José provou seu amor a Maria e a Jesus, seu filho adotivo. “O trabalho é lei de Deus, direito da sociedade e dever que honra a pessoa”, frisou.

O bispo ressaltou que o Brasil vive um momento dramático em relação ao trabalho, lembrando que 14% da população ativa está desempregada. “Vivemos uma tragédia: o desemprego está numa crise sem precedentes e aumenta a cada dia o sofrimento de nosso povo, especialmente os mais pobres. Deus cobrará certamente, cobrará como cobrou de Caim ao perguntar-lhe: ‘Onde está seu irmão? ’”, alertou.

O bispo ainda destacou a Reforma Trabalhista, que está prestes a ser votada no Congresso. Ele afirmou que toda lei precisa ser atualizada, mas há necessidade do diálogo com a sociedade. “Uma reforma desta envergadura não pode ser imposta. Nem pode ser feita sem cortar privilégios e desperdícios, em uma cultura que propõe como objetivo é levar vantagem em tudo e não o trabalho pelo bem comum. Deve também começar a cortar na própria carne, os altos salários e privilégios”, apontou Dom Pedro.

Apesar dos problemas, para Dom Pedro, é preciso ouvir a Palavra de Deus, que vai ajudar a encontrar a luz no fim do túnel. “Longe da Palavra de Deus, não iremos a lugar nenhum. Mas com a Palavra de Deus ouvida, meditada e praticada, poderemos reerguer nossa sociedade descortinando um mundo de solidariedade e paz para todos. Este é o mundo que Deus e que queremos como fruto da justiça”, disse.

Uma das representantes da Pastoral Operária, Toninha Carrara ressaltou a necessidade de sempre recordar a luta dos trabalhadores. “Estavam presentes o atual prefeito e o ex-prefeito. Isso demonstra o grande respeito das autoridades, mas o principal são os trabalhadores e trabalhadoras que encheram a Matriz de São Bernardo, nossa querida Basílica Menor, que todos os anos acolhe esta Missa. Aqui foi palco de lutas em 1979 e 1980, e na primeira Missa, em 1980, tivemos mais de 100 mil pessoas. Atualmente, o número pode ser menor, mas os trabalhadores continuam com a mesma força. O trabalhador que tudo produz”, frisou.

Orlando Morando, que falou após a bênção final, mas com a presença de Dom Pedro, destacou também o drama no Brasil. “Em outros momentos seria uma Missa de ação de graças aos trabalhadores, mas pelo momento que atravessa nosso país se faz muito necessária as orações aos desempregados que hoje são 14 milhões, 78 mil na nossa cidade e quase 300 mil no Grande ABC. É um momento difícil que atravessa nosso país, mas com fé e esperança, acima de tudo, iremos superar este momento”, disse. Após a Celebração, houve apresentações na Praça da Matriz.

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